Mais da metade das grandes cidades do Brasil investe menos de R$ 100 por habitante em saneamento

  • 18/03/2026
(Foto: Reprodução)
Prefeitura de Capitólio/Divulgação Mais da metade dos 100 municípios mais populosos do Brasil investe menos de R$ 100 por habitante por ano em saneamento básico. O valor é considerado muito abaixo do necessário para ampliar o acesso aos serviços e alcançar as metas de universalização previstas para a próxima década. Os dados fazem parte da edição de 2026 do levantamento anual sobre saneamento nas grandes cidades brasileiras, elaborado com base nas informações mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), referentes a 2024. Segundo o estudo, 51 municípios registraram investimento inferior a R$ 100 por habitante no setor. O número representa pouco menos da metade do valor considerado necessário para universalizar os serviços no país. O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) estima que seriam necessários cerca de R$ 225 por habitante ao ano para que todas as cidades consigam garantir acesso amplo a água tratada e coleta de esgoto até 2033. Menos de 3% das cidades brasileiras estão perto de universalizar saneamento A diferença nos investimentos também se reflete diretamente na qualidade dos serviços. Enquanto os municípios com melhor desempenho apresentam índices próximos da universalização, outras cidades ainda enfrentam déficits expressivos. Nos 20 municípios mais bem colocados no levantamento, a média de coleta de esgoto chega a 98,08%. Já entre os 20 piores, o índice médio cai para apenas 28,06%. A diferença supera 70 pontos percentuais. O contraste também aparece no tratamento do esgoto. Nas cidades com melhores indicadores, cerca de 77,97% do esgoto gerado é tratado. Entre os municípios com pior desempenho, a média fica em torno de 28,36%. 🟩 Entre as cidades com melhores resultados (que já apresentam níveis de atendimento considerados universalizados para água e esgoto) estão: Franca (SP), São José do Rio Preto (SP), Campinas (SP) e Santos (SP). 🟥Na outra ponta aparecem municípios com grandes desafios de infraestrutura, que figuram entre os piores desempenhos do levantamento, como: Santarém (PA), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Várzea Grande (MT) e Parauapebas (PA). O estudo também mostra que a diferença de investimento ajuda a explicar parte dessas desigualdades. Entre 2020 e 2024, os 20 municípios mais bem posicionados registraram investimento médio anual de R$ 176,17 por habitante. Já entre os 20 piores, o valor médio foi de R$ 77,58 por habitante. Despejo irregular de esgoto em ponto de córrego que deságua no Rio Piracicaba. Edijan Del Santo/EPTV Mesmo entre as grandes cidades — que costumam ter indicadores melhores do que a média nacional — ainda existem desafios importantes. A falta de acesso a serviços de saneamento básico continua afetando milhões de brasileiros. De acordo com o levantamento, mais de 30 milhões de pessoas no país ainda vivem sem acesso à água potável. Já a coleta de esgoto ainda não chega a cerca de 90 milhões de brasileiros, o que representa 43,3% da população. Além da cobertura limitada, outro problema recorrente é a perda de água na rede de distribuição. Em média, cerca de 41,5% da água produzida nos municípios analisados se perde antes de chegar às residências. O índice é bem superior ao limite de 25% considerado adequado para o sistema. Para especialistas do setor, ampliar os investimentos será essencial para reduzir as desigualdades entre regiões e acelerar a expansão dos serviços. “Os resultados desta edição do Ranking mostram que, apesar dos avanços registrados em diversos municípios no acesso à água potável e à coleta de esgoto, o tratamento do esgoto ainda é o aspecto mais distante da universalização no país e segue como o principal desafio a ser enfrentado”, afirmou Luana Siewert Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil. Ela também destacou que algumas cidades demonstram que a universalização é possível quando há planejamento e investimento contínuo. “O empate nas quatro primeiras colocações do ranking traz uma mensagem positiva: há cidades que estão cumprindo seu papel, alcançando elevados níveis de atendimento e eficiência, o que reforça que a universalização é viável quando há planejamento, investimentos contínuos e boa gestão”, disse. Segundo o estudo, alcançar as metas previstas no Marco Legal do Saneamento Básico até 2033 dependerá de aumento consistente de investimentos e de maior capacidade de planejamento e gestão dos serviços nas cidades brasileiras.

FONTE: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/03/18/mais-da-metade-das-grandes-cidades-do-brasil-investe-menos-de-r-100-por-habitante-em-saneamento.ghtml


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